carinho pelo o que a gente faz
junho 28, 2019
Ontem eu assisti Toy Story 4.
No filme tem um personagem novo muito fofinho e, bem, isso não é spoiler porque aparece no trailer e logo nos primeiros minutos do filme, tá?
É um garfo com rosto, pés e braços, perfeitamente (ou nem tanto assim) feito de algumas coisas do lixo. É muito fofinho e há um vínculo muito bacana entre ele e a Bonnie, sua dona, justamente por ele ter sido criado por ela e num momento específico, também muito importante na história.
Me lembrei na hora de uma vez em que fizemos um palhaço na escola com uma bexiga e, ao trazer ela pra casa, eu morria de medo de que ela estourasse. Ia dormir olhando pra ela na estante do meu quarto, se esvaziando pouco a pouco, até que um dia ela sumiu: talvez porque tenha estourado e minha mãe jogado fora, ou se esvaziado de uma vez por todas.
Também me lembrei de uma ocasião, na terceira série, em que rolou um concurso de bonecas baseado em um conto que estávamos lendo juntos em sala. Cada pessoa faria a sua própria boneca e traria na semana seguinte.
Fiquei todos os próximos dias fazendo uma com a minha vó. Não me lembro do nome dela, infelizmente, mas lembro de cada detalhe de como foi feita: os grãos de arroz dentro das meia, cabelo loiro feito em lã amarela e trançado em sua cabeça, vestido com rendinhas de uma toalha de centro, sapatinho de bebê antigo colocado nos pés e cara desenhada à canetinha. Os braços eram duas tranças de lã, também, só que em outra cor.
Achei maravilhoso termos criado ela do nada. No dia do concurso, todas as outras meninas levaram bonecas prontas: uma ou outra refez um vestido ou cortou o cabelo da sua , meio customizando por cima, mas ninguém tinha feito do zero igual eu fiz.
Mesmo assim, uma dessas bonecas prontas levou o prêmio pra casa. Não fiquei triste na época, porque me sentia tão feliz com a minha boneca que não me importava que ela não fosse a favorita da professora também. Dormi agarrada à ela por muitos e muitos dias.
Isso tudo me faz pensar que a gente coloca muito mais amor pelo o que vem de uma certa trajetória. Aquilo que nasce com a gente, da gente, passa por algumas coisas junto conosco, que cria raízes e que não importa se é um garfo, uma bexiga ou uma meia com grãos de arroz, mas que gera uma afeição que, de certa forma, aconchega a alma.
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be kind <3