domingo

julho 14, 2019

Acordei, tomei café-da-manhã junto com a minha mãe e ela avisou que só ia voltar mais tarde porque ia passar o dia todo num churrasco. Dei de ombros, ela saiu e eu fiquei. O café acabou e eu continuei sentada, olhando pra sala e pro cachorro da minha irmã, que tem passado um tempo aqui com a gente (porque ela tá morando por um tempo na casa do sogro e ele não aceita cachorros), e aí veio a vontade de chorar.

Me mudo na próxima quinta-feira. Eu não queria me mudar. Eu queria continuar com a minha sala, o meu tapete, a minha mesa com as pernas tortas e continuar comendo o pão na chapa que a minha mãe faz pra mim. Queria que a Miuka continuasse me olhando como se eu fosse dar um pedaço da casca pra ela a qualquer momento, mesmo que eu nunca dê. Que a minha mãe voltasse mesmo tarde da noite e eu ficasse irritada com o fato dela não deixar nunca a escova de dentes dentro do suporte das escovas.

É claro que eu sempre vou ter a possibilidade de visitar a minha mãe, mas não é a mesma coisa. A gente nunca mais vai morar juntas e não é por escolha minha, como se estivesse saindo de casa pra viver sozinha ou algo do tipo, nem dela, que também não tem dinheiro pra segurar as contas sozinhas. É da vida mesmo. Por isso que eu fico meio séria e meio seca quando ela tá perto, porque eu não quero mostrar que eu tô triste.

Mas foi bem triste. Passei o dia arrumando minhas coisas em caixas e vez em outra dava uma paradinha pra sentar no chão e chorar mais um pouco. Fico pensando se é um sentimento de coitadismo meu, sei lá, tenho medo de repente de me fazer muito de vítima, mas definitivamente não é algo fácil pra mim e é isso aí.

A Karen e o Du passaram aqui em casa pra pegar umas almofadas e sapatos que eu não queria mais. Eles que estão arrecadando agasalhos pra pessoas em situação de rua aqui da cidade mas ultimamente essas pessoas estão vivendo muito escondidas por medo da prefeitura, então eles estão revertendo as doações para famílias que precisam muito. Então foi bom entregar tudo aquilo, sei que farão bom proveito. 

Eles me animaram um pouco, falaram que podem me ajudar a decorar o quarto novo. Falaram muitas coisas legais.

Na hora que fui com eles até o carro para ajudar a levar as coisas, eles encontraram com a mãe de uma amiga deles que já faleceu. A Karen ficou bem impressionada, o olho dela encheu de lágrimas. Quando a moça foi embora, falamos de como as coisas são malucas e a vida é breve. Epifanias que me fizeram respirar fundo e lembrar que a minha situação atual não é nem de perto o fim do mundo.

No final do dia eu comprei de uma vez os móveis que eu vou levar pra casa da minha vó: uma estante, uma sapateira e uma escrivaninha, todos no Mercado Livre. Caiu os R$ 700 reais no meu cartão e eu percebi que era a hora de um descanso merecido.

Assisti Stranger Things e fui dormir. 

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