uma arte feita de bastante coisa
abril 15, 2020
Hoje eu fiz arte.
Pra um artista de verdade, talvez não seja lá uma arte aaarte assim, artona, arte em negrito e sublinhado. Arte que ficaria bonita em letras garrafais e bem espaçadas. Porque na realidade eu simplesmente juntei dois pedaços de madeira que achei no quintal, colei numa folha de papel e desenhei no meio.
Fiz ali um rosto em line face que tá bem comum nos produtos gringos da vida. Fui fazendo livremente, sabendo que eu queria que um começasse onde o outro acabasse e só. Gostei do resultado.
Depois, pensei em escrever uma frase em cima. "Gemini" surgiu primeiro porque eu gosto muito do meu signo, porque eu sou muito clichê e porque eu gosto da minha letra em cursiva quando a palavra começa com G. Hehehe.
Depois lembrei de uma frase de Anais Nin que vi lá na Shakespeare & Co, a livraria mais legal que eu já visitei na vida, em Paris. Eu não vi no momento em que fotografei, até porque tirei fotos de lá muito na surdina porque o lugar não pode ser fotografado, mas notei no cantinho superior de uma das fotos, já no rolo da câmera, depois que já havia saído de lá.
A frase é a seguinte:
“We do not grow absolutely, chronologically. We grow sometimes in one dimension, and not in another; unevenly. We grow partially. We are relative. We are mature in one realm, childish in another. The past, present, and future mingle and pull us backward, forward, or fix us in the present. We are made up of layers, cells, constellations.”
Eu achei isso tão lindo que eu, um dia, tenho certeza de que quero tatuar. Fala sobre crescer, sobre isso não ser cronológico, sobre células, camadas e constelações. Ou seja, tem tudo que eu mais amo numa única definição que, no final das contas, nem se define tanto assim. Deixa tudo muito aberto no espaço.
Juntei o começo "we do not grow chronologically" com o fim "we are made up of layers, cells, constellations" e formei o meu desenho.
Olhando pras duas figuras de rostinho que fiz ao centro, eu vejo que combinaram muito com a definição que eu calhei de escrever. Um rosto metade de olhos num formato que mal se vê, apenas os riscos rígidos de um nariz expressamente reto. Pra mim, tipo uma parte saturnina, focada. A outra metade tá florescendo, crescendo. Embaixo, metade de olhos fechados, que poderiam estar sonhando. E sua última metade, solta, se perde num olho caracol bem aos moldes de um labirinto, endoidecendo por ai, e enfim, vivendo o que tem que viver.
Uma olha pra trás, outra olha pra frente, ambas parecem olhar para o mesmo lado e na realidade não sei mesmo para onde olham porque esses sentidos nem são tão facilmente compreensíveis. Assim como o tempo também não é.
Tá vendo, por isso que eu, agora, gosto ainda mais da frase e quero tatuar. Porque todas as coisas são bem isso aí.
Camadas misturadas num desenho muito simples.
Camadas misturadas num desenho muito simples.
1 comentários
Parabéns pelo seu dia, Au!!
ResponderExcluirEstou mandando muitos abraços apertados que não vou poder dar pessoalmente por uma questão de quarentena, tomare que eles cheguem aí em Bragança [obrigada pela internet, Deus].
Lembro que te conheci de verdade num vídeo que você fez com a Bruna, bem quando você chegou nos EUA, e passei a acompanhar mais você do que ela a partir daquele dia.
Fica bem, fica contentinha, e no aniversário do ano que vem a gente faz uma festa daquelas pra tirar o atraso de festas de aniversário.
be kind <3