um feed em constante catequização

junho 22, 2022

Finalmente consegui educar meu algoritmo do TikTok. Os conteúdos que passam por lá, com exceção de uma Gkay ou outra vez em quando (por questões de popularidade, mérito dela própria e não da minha audiência), são tudo aquilo que eu realmente quero ver.

Tour de casas com músicas inspiradoras, em que cada take é uma cena diferente. Sempre tem um tapete quadriculado, um quadrado de cerâmica e uma luz da janela batendo meio de lado no sofá.

Artes feitas à mão. Colagens, aplicação de desenhos em camisetas, coisas que me fazem pensar “hummm, eu posso fazer algo assim um dia!” com a mais completa certeza de que vou esquecer disso dali há cinco minutos. Mas tá tudo certo.

Looks em um estralar de dedos - inspirados em séries, em filmes ou em sagas. Eu gosto.

Fotos com câmera analógica (confesso que já enjoei, mas ainda paro pra ver os vídeos que contém fotos muito legais). Itens diferentes que alguém comprou na Shopee. Embora aquele toca-CDs e o mini computadorzinho de mesa já estejam batidos (saindo da palavra "diferentes" que escrevi na linha de cima) de tanta gente que anda comprando. E, olha, mesmo assim continuam caros, viu?

Essas coisas me interessam, sim. Me demoro os olhos mesmo que seja tudo um pouco parecido porque as vezes vem uma novidade nesses nichos. As vezes não, também. Só vai tempo embora. 

Mas é melhor do que era antes, quando tudo que o TikTok jogava pra mim, eu consumia, bagunçando meus gostos assim como tá bagunçada a minha vida. 

Espelhos.

De vez em quando, porém, me demoro dois segundos a mais num vídeo de bebê fofinho ou de uma receita diferente que insiste em cair sem querer. E já penso: droga. Porque logo após, lá vem dez vídeos diferentes de cada uma dessas categorias no meu For You.

Aí eu passo tudo rapidinho, como se não houvesse o mínimo interesse quando as vezes até há - mas eu não vou deixar meu algoritmo saber disso.

E assim segue num processo que não termina nunca. De fato, educar algoritmos se aproximar um pouco de guiar uma criança na vida. No caso, não na dela. 

Nem na vida do algoritmo. 

Na minha.

Inacabável. 
E sempre sujeito à desordens.

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