cimento puro

outubro 14, 2022

Dia desses minha afobação fez uma vítima. Não foi direta, foi indireta. Eu afobei alguém que, mesmo que acidentalmente, ofendeu alguém.

Aquilo me doeu de uma forma tão grande que quis me desmanchar em nada. Em nadinha de nada. Virar grão de pó, pedaço de chão, parede gelada que ergue uma casa. Eu olhava pra parede e sentia inveja.


Ela não sentia. Eu sentia.


Aos poucos, depois de todos os mal entendidos (que, por ocasião, geraram sim ofensas reais) meio que resolvidos, fui me permitindo me perdoar.

É um processo. Leva tempo. Ainda olho pro espelho e penso que pra outros olhares, posso ser eu a personagem malvada do filme.

Mas um amigo, um que particularmente tinha muito mais a dizer do que qualquer outro, me disse que é isso. Estamos sujeitos. A pessoa boa do filme também erra feio. Não é sobre o crescimento pessoal dela, é sobre a dor do outro mesmo. É sobre ela querer virar pedaço de parede às vezes também.

Desde que hajam os perdões e curas da dor que ficou, não resta outro caminho a não ser seguir em frente.

Pelo que ele me disse, alguma hora o grão de pó vira uma massa, que vira uma coisa, que gera um outro sentimento, que causa apenas uma lembrança dolorosa que, marca porque não pode ser esquecida e tem, sim, que marcar, mas volta a pulsar.

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be kind <3