não dá pra não pensar mais em política

outubro 20, 2022

 "Você tá muito nervosa"
"Tá postando muito sobre política"
"Tá perdendo seguidores à rodo, vai perder amigos também"

Eu tô. 

É verdade. 

Eu não me importo.

Eu realmente não me importo porque essas pessoas não se importam. Estão desprovidas de qualquer tipo de preocupação. Aliás, se é pra citar essa palavra, tem algumas sim: porque fake news de igrejas censuradas, sem teto invadindo casa e decreto de banheiro unissex não faltam.

Conheço muitas pessoas dessas e já desisti de julgar que são ignorantes. Essas pessoas tem acesso à informação. Essas pessoas também, por mais que ora ou outra possam ser influenciadas por coachs ridículos, quotadores de podcasts falidos ou estrela tremendamente religiosas da real life perfeita, já tem idade o suficiente pra escolherem melhor quem as pessoas que elas seguem.

Não consigo. Pra mim é inconcebível. Tô, cada vez mais, desacreditada com o futuro resultado das eleições. 

Em 2018 eu achava que eles estavam elegendo uma mula preconceituosa tudo em nome de não querer um partido vermelho, a tão temida cor do comunismo que não faz nem cócegas, no poder.

Em 2022 eu vejo que eles estão votando, novamente, no mesmo senhor que comprou 51 imóveis em dinheiro vivo, recolocou o Brasil no mapa da fome, atrasou o máximo que pôde a compra de vacinas e por isso levou milhares de brasileiros à morrerem, criou o orçamento secreto ou cortou 45% dos recursos pra tratamento de câncer.

Esse cretino fez tudo isso e muito, muito mais. Mas essas pessoas vão lá depositar seu voto pra ele que fique por mais quatro anos na presidência fazendo estragos e promovendo atrasos.

Na vida cotidiana dessas pessoas, eu já percebi, nada afeta mesmo. Elas não se importam mais. Fecharão os olhos pra tudo isso, mais vendas de fuzis pra crime organizado, mais facilitação ao desmatamento, mais um tantão de cortes de recursos da farmácia popular... Tá ok pra elas.

Aliás, o discurso delas é, na cabeça limitada de cada uma, é contra à corrupção. 

Certo.

Fazendo campanha logo pra um senhor que decretou sigilo de 100 anos nos casos de corrupção. 

Podia até ser engraçado se não fosse trágico, né? Eu sei que dentro de casa tem um rato, mas ele se escondeu muito bem e, por isso, não importa. Tudo bem eu dividir o mesmo espaço que ele desde que eu não o veja.

É mais ou menos por aí.

E então, quando começamos falar sobre o sofrimento de minorias, nem se fala. 

Pras pessoas que votam 22, esse voto segue sendo um grande foda-se aos direitos de gays, trans e o que for, porque afinal, né? Bastam essas pessoas existirem lá na existência delas. Pra essas pessoas, basta que elas permitam isso. Ué, querem mais o que? 

Direitos, privilégios, tudo isso é papo de esquerdista, tudo é mimimi, tudo vira figurinha no zap. 

Eles vão mesmo eleger um genocida. Cientes disso.

Declararam que leram.

Concordam.

E eu não consigo, não consigo mesmo estabelecer o mínimo de contato com quem mira a arma e atira.

Logo eles, que falam tanto em não "ficar do lado de bandido". 

Não tem mais diálogo, só decepção e só aquela velha certeza que há muito tenho por aqui, de saber que lá na frente, no fim de toda a história, olharemos pra trás pensando o quanto a presidência do B0ls0n4r0 deixou o sangue nas mãos de todo mundo que participou disso.

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