eficiente até a página 2

abril 08, 2020

Sabe aquelas entrevistas de emprego em que a pessoa, na hora de dissertar sobre o seu defeito, diz que o dela é ser muito perfeccionista?

Eu não nego, eu tenho vários defeitos. Talvez eu não os citasse em lista numa entrevista, obviamente, mas eu realmente sei e reconheço que tenho um montão deles, embora eu tente ir pra um caminho de constante evolução - eu definitivamente tô longe de ser um Buda. Mas um deles é que eu detesto quando barram a minha eficiência. É o meu defeito de entrevista de emprego, diremos assim. Aquele que é bom mas é ruim, é ruim mas é bom. Um defeiautoelogio, criando aqui um neologismo.

Mas hoje eu não tô aqui pra me auto elogiar por isso.

Senti que eu tenho que sentir que eu estou sendo eficiente. Eu posso, sim, ter uns momentos em que fico com extrema preguiça e chega de ladinho a procrastinação, mas se me foi designado algo à fazer, e, principalmente, esse algo tem deadline muito bem definido, eu vou começar a fazer agora mesmo. Já, nesse exato segundo. Pois é, eu até coloco um pouco a carroça à frente dos bois, mas eu vou fazer e vou entregar com tudo muito bem detalhado e organizado. 

O problema é quando esse algo não depende só de mim. Se depende de outras pessoas e, pior, se mesmo assim eu continuo no projeto e tenho que buscar um diálogo que não considera as minhas ideias tanto assim. 

Agora, eu juro, quando eu sinto que tá acontecendo isso, eu respiro fundo e penso "ok, talvez eu esteja errada". Mas tem horas que eu me sinto muito mal por conta disso: porque eu quero ver esse trabalho terminado e entregue. Eu quero provar a minha eficiência não só pro externo, mas pra mim mesma, como recompensa de todo o esforço que eu tive pra botar a minha cabeça para funcionar da melhor forma que eu encontrei.

Eu li uma vez no meu mapa astral que eu tinha um defeito de comunicação, que consistia em achar que o meu jeito de me comunicar é o certo, em detrimento aos outros. Não o discurso em si, mas a forma, não sei. É diferente daquela pessoa que acha que tá sempre certa: eu meio que acho que o JEITO que eu coloquei as palavras é o certo. O formato mesmo. Não a mensagem, mas o meio dessa. Isso seria até que light, só que eu trabalho com comunicação...

É algo que é difícil pra mim. De verdade. Eu já sabia, mas hoje, não sei se ampliado pelos efeitos da quarentena ou se aqui tenho trabalhado com um grande espelho à minha frente, então na hora que eu mais precisava respirar fundo fiquei mirando minha imagem e acabei lembrando do mapa e ponderando, sei lá, mas hoje eu percebi que isso é realmente uma questão.

E hoje eu aprendi essa grande lição. Qual? Também não sei. 

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