no mesmo barco
julho 01, 2019
Desde que fiz 26 anos eu tenho tido umas crises muito maiores do que as que eu tinha antes. E, olha, eu sempre olhei pra minha vida com uma positividade bem grande: de verdade, era tanto que eu ia tomar banho pela noite, todos os dias, agradecendo por tudo de bom e também de ruim que tinha acontecido. Muito confiante mesmo que tudo tava se encaminhando certinho por mais que fosse difícil. Se eu fosse postar tudo que vinha na minha cabeça o meu Twitter ia parecer uma página de pregações religiosas.
Mas aí eu fiz aniversário e sei lá, acho que não foi nem a idade que bateu, mas sim um monte de coisas na semana seguinte que caíram no meu ombro e me mostraram que a realidade não é tão linda assim. Que eu tava até vivendo num mundo de fantasias, na real.
Aí de vez em quando eu fico meio desanimada quando esses pensamentos batem. Me sinto a menor pessoa de todas: como se coubesse num vidrinho de esmalte e não desse nem pra tirar o restinho de lá pra arrumar a ponta descascada de uma unha. O pouco líquido que restou, colou, ficou, não dá.
Mas aí tem uma coisa que tem me acalmado bastante nisso tudo. Parece clichê, e é, mas eu me lembro disso nos picos de ansiedade, principalmente: os meus amigos. Ficar perto dos meus amigos, principalmente aqueles também tão travando diversas batalhas.
Todos nós estamos, eu sei. Se eu quero ficar perto de alguém que tá lutando por ou contra algo interiormente, é só ficar próxima a qualquer ser humano do mundo. Eu sei disso também.
Mas pra mim tá sendo de deixar a alma em paz ligar pra Karen e perceber que ela ainda dá passinhos de tartaruga no seu escritório de arquitetura e que tá tudo bem. Que o Gui tá tranquilo abrindo o consultório dele, entregando cartãozinho por cartãozinho por aí, e também tá tudo certo. Que o Du, mesmo mais velho que eu, estuda todos os dias pra prestar medicina e segue incansável no sonho.
Acompanhar o esforço diário da Karina pra trabalhar e terminar seu doutorado e também, assim como eu, não ver sobrar um centavo no final do mês - mas não encanar por conta disso. Ver a Lari programar um intercâmbio e fazer, desfazer e fazer planos porque a vida é simplesmente é assim. Ver meu grupo enorme de amigas que, assim como eu, também estão solteiras e não tem a menor vontade de casar ou ter filhos mesmo a sociedade gritando isso nos nossos ouvidos o tempo inteiro. Ou conviver com a Vivi e perceber que ela também fica desanimada com as coisas de vez em quando.
Tê-los na minha vida e andar ao lado deles é um lembrete diário de que todos nós estamos no mesmo barco. Me acalma relembrar: os nossos barcos são pequenos, cheios de rachaduras, navegando devagarzinho, mas que continuam à deriva e isso é o que realmente importa. Vê-los sorrindo, continuando, lutando e seguindo, é que tem mantido minhas forças atualmente.
Luna Lovegood, de Harry Potter, uma vez pintou a cara dos amigos em cima da sua cama e eles só descobriram isso quando foram visitá-la, lá no último livro da saga. Na época parecia exagero de uma personagem um pouquinho excêntrica em suas manias, mas pra mim essa imagem faz cada vez mais sentido.
Sou grata pelos amigos não só quando eu ligo e eles vem, quando saímos juntos ou quando eles fazem por mim algum gesto de carinho. Mas sobretudo quando eu mais preciso saber que eles existem e respiro aliviada por saber que continuam por ali. E eles não fazem a menor noção disso.
Acompanhar o esforço diário da Karina pra trabalhar e terminar seu doutorado e também, assim como eu, não ver sobrar um centavo no final do mês - mas não encanar por conta disso. Ver a Lari programar um intercâmbio e fazer, desfazer e fazer planos porque a vida é simplesmente é assim. Ver meu grupo enorme de amigas que, assim como eu, também estão solteiras e não tem a menor vontade de casar ou ter filhos mesmo a sociedade gritando isso nos nossos ouvidos o tempo inteiro. Ou conviver com a Vivi e perceber que ela também fica desanimada com as coisas de vez em quando.
Tê-los na minha vida e andar ao lado deles é um lembrete diário de que todos nós estamos no mesmo barco. Me acalma relembrar: os nossos barcos são pequenos, cheios de rachaduras, navegando devagarzinho, mas que continuam à deriva e isso é o que realmente importa. Vê-los sorrindo, continuando, lutando e seguindo, é que tem mantido minhas forças atualmente.
Luna Lovegood, de Harry Potter, uma vez pintou a cara dos amigos em cima da sua cama e eles só descobriram isso quando foram visitá-la, lá no último livro da saga. Na época parecia exagero de uma personagem um pouquinho excêntrica em suas manias, mas pra mim essa imagem faz cada vez mais sentido.
Sou grata pelos amigos não só quando eu ligo e eles vem, quando saímos juntos ou quando eles fazem por mim algum gesto de carinho. Mas sobretudo quando eu mais preciso saber que eles existem e respiro aliviada por saber que continuam por ali. E eles não fazem a menor noção disso.
1 comentários
um dos meus textos preferidos
ResponderExcluiracho que me identifiquei porque não é tão fácil assim encontrar garotas, que como eu, não tão nem aí para maridos e filhos. e que curtem mesmo estar com os amigos, que geralmente são mais familia do que a nossa prórpia familia.
=*
be kind <3