pague a conta
outubro 04, 2020Quem me acordou hoje foram os meus 27 anos, lembrando que ficar cada vez mais velho é uma responsabilidade inadiável. Se você adiar, talvez, ganhe um nome sujo e muitas dívidas.
Notificação de mensagem de "bom dia, flor do dia!" de um contato que me deixa com frio na barriga: zero.
Atualização das despesas do Splitwise: duas.
Duas grandonas, rechonchudas, me lembrando de que o sonho distante de pagar um aluguel pra 1 em São Paulo não é distante, é impossível: com três mil e lá vai pedrada, fora as contas, eu não teria dinheiro para mais absolutamente nada.
Meu sonho, na realidade, seria comprar uma casa aqui no condomínio onde a minha vó mora. Lembrei disso esses dias e concordei comigo mesma.
Quando eu era criança, bem novinha, eu ficava na sala dela, com janelas de frente para o lago tocando flauta, tentando aprender "noite feliz". Lá pelas tantas, quando me cansava da flauta, colocava-a de lado e me punha a sonhar.
Sim, simples assim. Eu tinha um momento de devaneio rotineiro que eu deitava no sofá e ficava olhando pra aquele lago imaginando se aquilo ali fosse uma casa minha, e meu marido viesse dali uns minutos me chamar pra comer algo gostoso ou terminar de tocar "noite feliz" em minha companhia no sofá enquanto olhávamos o lago juntos.
De vez em quando a minha vó ou o meu vô apareciam na sala e falavam "chega pra lá, deixa eu sentar aqui" e eu pensava, em vão "mas quem tá aqui é meu marido, tá aqui do meu lado olhando o lago!".
Loucuras a parte, tem um arquiteto que tem uma casa aqui. A casa dele, construída em meados de 2006, numa época onde o emo tava no auge, sempre me despertou interesse por rimar bem com os meus interesses da época: ela é preta, tinha uma janela na piscina na parte de baixo, e a piscina era, pasmem: vermelha feito sangue. Azulejos da cor que Fafá cantou.
No site dele, consegui ver a parte por dentro que não dava ali por fora, e ainda mais maravilhosa: em frente à piscina tinha um cavalinho retrô estilo parque de diversões. A sala de estar era em grama sintética, com um balanço ao meio. Na cozinha, reinava uma geladeira roxa. Na biblioteca, uma escada dava até o teto. E eu juro que tudo isso é verdade, pra você entender o tamanho da maravilhosidade dessa casa.
Hoje em dia a piscina não é mais vermelha, e exceto alguns detalhes desse tipo (e a vista do casal ser pra frente do lago, coisa mais linda) acho algumas partes dessa casa meio cafonas.
Mas não ligaria de pagar a pequena fortuna disposta no Sliptwise pra morar nesse lugar, não.
Só não quero me fazer falsas promessas, estabelecer uma dívida tão alta com a Auana do passado, sabe. Continuar sonhando um sonho tão grande assim, seria um preço muito alto a se pagar.
1 comentários
lendo esse post lembrei do que você conta como seus avós foram morar nesse condomínio, aquela história foi tão fofa - uma de minhas preferidas
ResponderExcluircasa preta com piscina vermelha? será que esse arquiteto é fã do filme Elvira, A Rainha das Trevas? (um dos meus preferidos)
não sei se eu teria uma casa preta por fora, deve esquentar muito no calor
mas o cavalinho retrô estilo parque de diversões. eu com certeza teria no meu quintal.
be kind <3